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quarta-feira, 20 de junho de 2018

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Summer Eletrohits 2018: o som que marcou (e dividiu) um verão eletrônico

Mais do que uma simples coletânea, Summer Eletrohits 2018 simboliza um momento de transição na cena eletrônica brasileira: migrando do pop eletro comercial para um território mais autoral, underground e experimental. Lançado sob o selo Austro Music em parceria com a Som Livre, esse “álbum” de 2018 assumiu o risco de trazer artistas menos batidos ao grande público, ofertando um painel fascinante (e nem sempre homogêneo) dos caminhos que a música eletrônica brasileira poderia tomar.

Introdução: a batida do verão que ousou mudar

Se você morou o verão de 2018 no Brasil com fones no colégio, no carro ou naquela balada local, é bem provável que tenha cruzado com o nome Summer Eletrohits 2018. Mas, diferentemente das edições anteriores, este volume não veio para repetir fórmulas — ele veio para sacudir. Em vez de focar apenas nos hits consolidados, a coletânea explorou nomes mais ousados, remixes inéditos, encontros entre DJ’s nacionais e vozes pop, tudo isso tentando abrir espaço para uma eletrônica brasileira mais densa.

Para quem aguardava aquele som previsível de verão, foi um banho de água fria — ou de piscina, dependendo do ponto de vista. E foi justamente essa ruptura que o faz tão interessante de revisitar hoje.

História da marca e do projeto Summer Eletrohits até 2018

Antes de mergulharmos nas faixas, vale um panorama para entender o contexto. Summer Eletrohits é uma série de coletâneas idealizada pela Som Livre em parceria com o programa TVZ do canal Multishow. A primeira edição saiu em 2005, e desde então o projeto virou marca registrada dos verões brasileiros, com CDs anuais compilando os hits eletrônicos do momento.

Durante anos, a fórmula foi relativamente segura: músicas que já estavam chamando atenção nas rádios, nas pistas, nos programas de TV. Muitos volumes receberam certificações de platina pela ABPD e figuraram entre os CDs mais vendidos do ano.

Porém, segundo a própria história da coletânea, a partir de Summer Eletrohits 2018 houve uma mudança deliberada: “a coletânea trouxe músicas em sua maioria desconhecidas do grande público em comparação com edições anteriores, abandonando a pegada comercial e focando em um estilo mais alternativo.” Esse movimento divide os fãs: uns elogiam a ousadia, outros reclamam da menor atratividade comercial das faixas.

Análise das faixas (ou destaques)

Como se trata de uma compilação com 17 ou mais músicas (depende da versão digital/física), vou destacar aquelas que mais representam o espírito do álbum — as que surpreendem, arriscam ou ecoam até hoje.

1. “Your Power” – WAO & GANNAH
Faixa de abertura com vocais etéreos e batidas leves, ela atua como um convite: “vem comigo para um território mais emocional”. Não é hit óbvio, mas tem aquele apelo de descoberta.

2. “One Nation (feat. Luizor EIM)” – D.I.B
Aqui entra um groove mais firme, com percussão eletrônica pulsante e o vocal de Luizor entregando uma melodia que casa bem com sintetizadores densos. É transição natural entre o frescor inicial e o peso intermediário.

3. “Infinito Particular (feat. Silva)” – Bhaskar
Um dos pontos altos do álbum. A junção de Bhaskar com Silva dá um tom brasileiro forte, misturando elementos eletrônicos com uma assinatura pop suave e vocal íntimo. O remix presente aqui muda levemente a textura sonora.

4. “Vem Quente Que Eu Estou Fervendo (feat. Rivas)”
Uma faixa que joga no contraste: título chamativo, batidas aceleradas, vocal rasgado — funciona bem como um interlúdio explosivo. É quase uma faixa para pista, mas com referência direta ao Brasil (“vem quente…”).

Outros destaques da coletânea
Há remixes e músicas menos conhecidas que servem como mosaico da nova eletrônica nacional. Algumas se perdem no meio da compilação, com energias mais genéricas, algo que críticos e fãs já mencionaram em fóruns de discussão sobre o Summer Eletrohits.

Estilo musical, influências e inovação

O que torna Summer Eletrohits 2018 fascinante é que ele não se contenta em repetir fórmulas prontas. Há uma oscilação entre baladas eletrônicas introspectivas e faixas mais voltadas para pista — quase como se três EPs menores vivessem sob a mesma coletânea.

As influências vão do future bass, synthwave, house melódico, passando por até traços de downtempo e eletrônico pop. Pode-se perceber ecos de nomes internacionais da eletrônica leve (como ODESZA, Disclosure) e também de movimentos nacionais que buscavam eletrônica com identidade brasileira — o que dá ao álbum um tom híbrido e de desafio.

A inovação está justamente em “dar voz” a músicas que não teriam vez em volumes mais pop do Summer Eletrohits. Ao fazê-lo, o projeto empurra o público a ouvir algo novo, e não simplesmente repetir hits comerciais.

Recepção da crítica e impacto cultural

A recepção dividiu-se entre elogios pela ousadia e críticas pela menor atratividade — um padrão comum em projetos que tentam romper limites. Em fóruns de música brasileira, como no Reddit, já apareceu comentário como:

"Summer electrohits is nostalgic for several songs, but it wasn’t uniform in quality. The first songs of each collection were great and are still great hits from that era. But when it gets to the middle to the end, it starts to play some very bland batidão electronica..."

Ou seja: muitos fãs amam os primeiros momentos da coletânea, mas sentem que ela perde fôlego. Comparado aos volumes clássicos, 2018 é frequentemente citado como um ponto de inflexão — não mais um álbum de públicos massificados, mas um experimento de curadoria sonora.

Em termos de impacto cultural, Summer Eletrohits 2018 serviu como parâmetro para edições futuras da série e também como vitrine (ainda que modesta) para nomes emergentes da eletrônica nacional. Foi um divisor de águas: quem esperava hits óbvios se desapontou; quem estava à espreita de novos caminhos encontrou algumas pepitas.

Curiosidades e bastidores

  • A série Summer Eletrohits já existia desde 2005 e era tradicionalmente focada nos hits mais comerciais; a edição 2018 foi a mais claramente “alternativa” da história da coletânea.
  • Os primeiros anos da coletânea contaram com curadoria de DJs e executivos da Som Livre, como André Werneck e Renê Junior.
  • Algumas edições anteriores foram lançadas também em DVD ou versão deluxe digital.
  • Embora o álbum leve o nome “2018”, em função do Carnaval antecipado aquele ano, ele foi lançado mais tarde do que o usual para compensar cronogramas.
  • A edição aposta em músicas “desconhecidas” do grande público, abandonando em parte a pegada comercial mais segura.

Legado e importância

Passados alguns anos, Summer Eletrohits 2018 deve ser visto com carinho e curiosidade, não apenas como um álbum, mas como um manifesto musical. Ele representa o momento em que uma marca consolidada — a coletânea de verão — decidiu se ressaltar, se reinventar, se arriscar. Nem todas as faixas voam alto, mas algumas brilham intensamente.

Seu legado não está nos números de vendas (que, aliás, foram menores que edições mais pop), mas no simbolismo: mostrar que o público brasileiro também está disposto a escutar o novo, a experimentar além dos hits triviais. Para quem se interessa por música eletrônica brasileira, esse volume de 2018 é um ótimo ponto de observação — e, talvez, uma porta de entrada para DJs e produtores menos conhecidos.

Se você volta ao álbum hoje, pode identificar ali um embrião das vertentes eletrônicas que ganhariam mais espaço nos anos seguintes. E mais: lembra como, no verão, era bom arriscar algo diferente — mesmo que não fosse certeiro.

 

FAIXAS

1. Your Power - Wao, Gannah
2. One Nation - D.I.B. Feat. Luizor Eim
3. Breakup Song - De Hofnar Feat. Son Of Patricia
4. Infinito Particular (Bhaskar Remix) - Silva
5. Rising Sun - Goldfish, Pontifexx Feat. Gustavo Bertoni
6. Vem Quente Que Eu Estou Fervendo - Rivas (Br), Danne Feat. Breno Miranda
7. Summer Love - Chemical Surf Feat. Jake Reese
8. Cold Heart - Bhaskar, Gabriel Boni Feat. Layna
9. Wicked Games - Vee Groove Feat. Luciana Gaspar
10. Paradise - Kenshin, Mojjo Feat. Marcelo Braga
11. Found U - Dimmi, Zeeba
12. In My Soul - Wao Feat. Kamatos
13. I'M Not Dreaming - D.I.B. Feat. Sam Alves
14. She Says - Nato Medrado

domingo, 9 de abril de 2017

Summer Eletrohits 2017


Imagine seu verão embalado por uma coletânea que mistura os maiores hits eletrônicos do momento. Não é sobre uma banda, mas sobre o Summer Eletrohits 2017, uma coletânea lançada no Brasil que reuniu sucessos internacionais e nacionais para embalar pistas, festas e road trips. Com nomes como The Chainsmokers, Martin Garrix, Jonas Blue e Hardwell, esse álbum se tornou referência do verão eletrônico em 2017.

Breve histórico até o lançamento
A série Summer Eletrohits, lançada pelo selo Som Livre no Brasil, ganhou fama por compilar os hits mais tocados nas rádios e boates. Antes de 2017, coleções anteriores já consolidavam uma fórmula certeira: mega hits no começo, seguidos por faixas menos populares, mas úteis para completar uma hora de energia de pista.

Em 2017, a coletânea trouxe faixas internacionais no auge da popularidade, como "Don't Let Me Down" e "In the Name of Love", refletindo a crescente penetração da EDM no Brasil.

Destaques
Mesmo sendo de artistas variados, algumas músicas concentram a identidade da coletânea:
"Don't Let Me Down" – The Chainsmokers feat. Daya
A abertura potente: batidas sintetizadas, refrão poderoso e a voz de Daya grudando na memória. Era um dos maiores hits globais do ano.
"In the Name of Love" – Martin Garrix feat. Bebe Rexha
A combinação perfeita de drop emocional e uma performance vocal marcante de Bebe Rexha: tornou-se um hino das pistas.
"Perfect Strangers" – Jonas Blue feat. JP Cooper
Traduzia a vibe tropical-house com melodia suave e refrão melancólico que ainda embala playlists de nostalgia.
"Give It All Up" – WAO feat. Mikkel Solnado
Representava a onda nacional-europeia emergente: batida dançante com um vocal masculino mais suave e melódico.
"Young Again" – Hardwell feat. Chris Jones
Apelo festivaliero: sintetizadores épicos, construção crescente e queda explosiva, ideal para o público que curte EDM enérgica.
Outros destaques: “Paradise” (Benny Benassi & Chris Brown), “7 Years” (Kiwi Bird), “Fast Car” (NLKD) — todas presentes como marcos da diversidade do electro pop comercial.

Estilo musical, influências e inovação
A coletânea traz um mix de EDM mainstream, tropical house, progressive house e electro pop. Influências vão de David Guetta e Calvin Harris até artistas brasileiros que ganhavam espaço, como WAO e D.I.B. O diferencial estava na curadoria: combinar grandes hits com nomes emergentes e versões mais “acessíveis” ao público brasileiro, inclusive com vocais em inglês fáceis de cantar junto.

Embora não tenha inovações radicais (é uma coleção de sucessos), a inovação está na seleção inteligente: os primeiros faixas são impactantes, enquanto o meio/sobra ajudava a manter a energia, mesmo que, segundo fãs, sem o mesmo brilho.

Recepção da crítica e impacto cultural
Crítica brasileira à época era escassa — coletâneas raramente ganham reviews formais. Mas o impacto nas redes e rádios foi evidente: o disco figurou entre os CDs mais vendidos do verão (chegou a esgotar em lojas como Gringos Records por cerca de R$ 30).

Comparando com edições anteriores, o volume 2017 manteve a tradição: faixas no início que viraram hits, seguidas por remixes ou faixas menos marcantes — uma fórmula criticada por uns, amada por outros pela nostalgia.

Curiosidades e bastidores
A coletânea foi vendida fisicamente em CD no Brasil, em lojas como Gringos Records, e até chegou a esgotar rapidamente 

Apesar do foco internacional, entrou música de produtores e DJs nacionais emergentes — como WAO e D.I.B — que já despontavam na cena eletrônica brasileira.

A composição da tracklist parece intencionalmente inclinada ao consumo rápido: os melhores hits no começo, faixas de "enchimento" no fim, estratégia comum para coletâneas comerciais no Brasil 

Legado do álbum
Summer Eletrohits 2017 não é um álbum de banda, mas sim um retrato sonoro do verão brasileiro de 2017. Foi parte importante para quem vivia a festa eletrônica naquela época: trouxe o mainstream global para playlists e CDs domésticos. Seu legado está na nostalgia — muitas pessoas ainda lembram das faixas com saudade ou as redescobrem em playlists no Spotify. Comparado a outros volumes, o 2017 manteve os primeiros hits fortes, ainda que perdesse fôlego nas faixas finais, mas mesmo assim cumpriu seu objetivo: capturar o clima do verão eletrônico para o público brasileiro.


Faixas

01 - Don'T Let Me Down - The Chainsmokers Feat Daya
02 -     In The Name Of Love - Martin Garrix Feat Bebe Rexha
03 - Perfect Strangers - Jonas Blue Feat Jp Cooper
04 - Give It All Up - Wao Feat Mikkel Solnado
05 - Young Again - Hardwell Feat Chris Jones
06 - Paradise - Benny Benassi & Chris Brown
07 - 7 Years - Kiwi Bird
08 - The Ocean - Mike Perry Feat Shy Martin
09 - Fast Car - Nlkd
10 - She Knows - Elekfantz
11 - Here Without You - The Squadz
12 - Nightlife - D.I.B Feat Nathan Brumley
13 - Turn It Up - Naza Brothers
14 - Troy - Ftampa & Wao