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sábado, 18 de fevereiro de 2017

Zé Ramalho - 1981 A Terceira Lâmina



No início dos anos 80, Zé Ramalho já era um nome consolidado na MPB, graças aos álbuns Zé Ramalho (1978) e A Peleja do Diabo com o Dono do Céu (1979), que mesclavam ritmos nordestinos com letras carregadas de misticismo e crítica social. Em 1981, ele lançou A Terceira Lâmina, considerado sua terceira fase sonora e poética. Produzido por Zé e Mauro Motta, o disco trazia uma sonoridade apocalíptica, com incursões líricas e metáforas que ampliavam seu alcance artístico e popularidade. Vamos embarcar nesse álbum que segue tão atual quanto instigante.

Histórico da carreira até o lançamento
Zé Ramalho surgiu no fim dos anos 70 como uma voz única dentro da MPB. Com raízes no sertão paraibano, sua poesia mesclava cordel, misticismo e uma visão quase apocalíptica do mundo. Seus primeiros discos, especialmente Zé Ramalho (1978) e A Peleja do Diabo com o Dono do Céu (1979), já mostravam essa mistura ousada de baião, forró, rock e folk psicodélico. Quando chega A Terceira Lâmina, o artista já era um nome consolidado e respeitado, mas buscava novos caminhos para expressar sua visão de mundo.

Análise das principais faixas
Aqui vão destaques que revelam a alma do disco:
Canção Agalopada - A abertura é um poema musicalizado extraído de seu livro Apocalipse (1977), com base nas formas tradicionais nordestinas “martelo agalopado” e “galope à beira-mar”. A participação da soprano Maria Lúcia Godoy traz um contraste lírico e dramático com a voz rouca de Zé Ramalho. Um convite imediato ao universo criativo do álbum.
Filhos de Ícaro - Uma faixa curta (cerca de 3 minutos), com tom profético e metáforas sobre ambição e queda. O samba pesado que acompanha a letra reforça a atmosfera de alerta social, amarrado à estética apocalíptica do disco.
A Terceira Lâmina - Segundo Zé, a canção aborda “o terceiro filho, a terceira fase” e uma visão de uma terceira guerra mundial interior e exterior. Musica-se sobre um baião pulsante, com arranjos de metais e sanfona que evocam resistência e libertação.
Um Pequeno Xote - A sanfona de Severo do Acordeom destaca-se com sutileza, criando uma atmosfera íntima, leve, que contrasta com as cores mais densas do álbum.
Atrás do Balcão - Um olhar poético sobre a rotina invisível dos trabalhadores de bar. A letra funciona como micro-reportagem social, com tom empático e observacional, reforçando a poeticidade cotidiana de Zé.
Galope Rasante - Ritmo forte, percussão marcante e uso de metais (incluindo sax de Léo Gandelman segundo análises contemporâneas), dão à faixa uma energia propulsora, quase cinematográfica.
Kamikaze e Violar - “Kamikaze” emociona pela letra sobre entrega e sacrifício, acompanhada de flauta delicada. Em seguida, “Violar” é um tema instrumental curto, quase etéreo, em que Zé mostra sua habilidade na viola, solo de técnica e sensibilidade.
Cavalos do Cão, Ave de Prata e Dia dos Adultos
A participação de Elba Ramalho em “Cavalos do Cão” cria um duelo vocal intenso, com imagem de cavalgadas sertanejas e memória de guerras. “Ave de Prata” é uma balada doce dedicada a Elba, enquanto “Dia dos Adultos” encerra o disco com um frevo rápido e festivo, lembrar de festival da TV Tupi de 1980.

Estilo musical, influências e inovação
A Terceira Lâmina combina ritmos nordestinos — forró, baião, xote, frevo — com elementos do rock e da música clássica (como os vocais líricos de Maria Lúcia Godoy e arranjos de cordas de Miguel Cidras). A inovação está na fusão de poesia, crítica social e estética apocalíptica, com arranjos sofisticados sem perder a raiz popular. Zé continua explorando sua voz profunda sobre texturas instrumentais variadas — desde sanfona, metálicos e percussões até interlúdios sem instrumento (“Violar”).

Recepção da crítica e impacto cultural
Em retrospectiva de 2020, o crítico Mauro Ferreira classificou o álbum como “incisivo”, mas o comparou desfavoravelmente aos dois primeiros trabalhos solo, afirmando que não alcança o mesmo impacto de A Peleja… e Zé Ramalho. Apesar disso, fãs persistem em reconhecer o poder poético de faixas como “Canção Agalopada”, “Galope Rasante” e “Ave de Prata”, fazendo deste álbum uma joia cult dentro da discografia do artista. Nas avaliações populares, o disco é lembrado como “repleto de músicas sem skips”, forte em poesia e instrumentos que exaltam a cultura do Nordeste.
Comparado com A Peleja…, A Terceira Lâmina traz menos hits de massa, mas uma profundidade lírica que se sustenta ao longo dos anos — e prepara terreno para o álbum Força Verde (1982), que aprofundaria a trilogia temática iniciada neste trabalho.

Curiosidades e bastidores
A abertura “Canção Agalopada” nasceu de um poema de Zé Ramalho publicado no livro Apocalipse (1977) e segue a tradição da literatura de cordel com formas rítmicas próprias.
A faixa-título reflete simbolicamente a “terceira cria”, ou terceira fase do artista, além de referências a uma guerra mundial emocional interna e coletiva.
A produção foi feita nos Estúdios Sigla em janeiro de 1981, com Zé e Mauro Motta no comando.

Legado e importância
Embora não tenha o mesmo apelo comercial dos dois primeiros álbuns solo de Zé Ramalho, A Terceira Lâmina permanece como um trabalho essencialíssimo para fãs e estudiosos da MPB. Ele marca uma evolução poética e sonora: arranjos refinados, metáforas literárias e uma amalgama de gêneros que ampliam o repertório do artista além dos hits consagrados. A forma como conecta narrativa, crítica social e tradição nordestina dá ao disco status de cult — e o coloca como uma ponte para o próximo passo da trajetória: Força Verde.
Ao revisitar A Terceira Lâmina, percebemos a maturidade de Zé em expressar crises coletivas e individuais com linguagem popular e sofisticada ao mesmo tempo. Um disco para se ouvir com atenção, alma e o coração aberto.


Faixas
01 - Canção agalopada
02 - Filhos de Ícaro
03 - A terceira lâmina
04 - Um pequeno xote
05 - Atrás do balcão
06 - Galope rasante
07 - Kamikaze
08 - Violar
09 - Cavalos do cão
10 - Ave de prata
11 - Dia dos adultos

domingo, 12 de fevereiro de 2017

A Peleja do Diabo com o dono do Céu - Zé Ramalho


Poucos artistas na música brasileira conseguiram traduzir a alma do sertão e a pulsação mística do país como Zé Ramalho. No final da década de 1970, em meio a um Brasil mergulhado em transformações sociais e políticas, ele lançou um disco que viria a se tornar um marco definitivo em sua carreira: A Peleja do Diabo com o Dono do Céu (1979).
Se seu primeiro álbum já havia apresentado um compositor de timbre inconfundível e poesia visionária, foi nesse segundo trabalho que Zé consolidou sua identidade artística, misturando cordel, rock, baião e psicodelia em uma narrativa ousada e arrebatadora. Este não foi apenas um álbum, mas um verdadeiro duelo sonoro entre o popular e o universal, o profano e o sagrado.

Breve histórico até o lançamento
Antes de chegar a esse momento, Zé Ramalho havia construído sua reputação nos palcos do Nordeste e em festivais, trazendo na bagagem a influência de Luiz Gonzaga, Bob Dylan, Jackson do Pandeiro e Pink Floyd. Seu disco de estreia, homônimo, em 1978, foi um sucesso inesperado, alavancado por canções como “Avôhai”, que abriram as portas para a crítica e o público.
A pressão para o segundo trabalho era imensa. Zé, no entanto, não se intimidou: mergulhou fundo em sua veia lírica nordestina, trazendo referências bíblicas, elementos do folclore e uma ousadia rítmica que colocava sanfona e guitarra elétrica lado a lado.

Faixas em destaque: a narrativa de um duelo cósmico
O álbum possui 10 faixas, todas atravessadas por uma energia quase teatral. Vale destacar algumas joias desse repertório:
Admirável Gado Novo - Talvez a música mais icônica de sua carreira, é uma crítica feroz às massas manipuladas, às repetições do cotidiano e ao conformismo social. O refrão virou símbolo de resistência e até hoje ecoa em manifestações e documentários.
Frevo Mulher - Um hino pulsante, que mistura sensualidade e ritmo carnavalesco. Com versos fortes e melodia contagiante, a canção se tornou um clássico instantâneo e uma das mais regravadas da obra de Zé.
Jardim das Acácias - Aqui, o artista explora uma atmosfera mística e contemplativa, criando imagens poéticas que misturam o sertão e o espiritual.
Agônico - Carregada de dramaticidade, a faixa traduz o lado mais sombrio da “peleja”, trazendo um vocal intenso que beira a catarse.
Beira-Mar - Outra canção emblemática, que depois ganharia desdobramentos em discos posteriores do cantor. É uma narrativa épica, que mistura tragédia pessoal e metáfora social.
Cada faixa, à sua maneira, constrói o mosaico de um sertão mítico, onde personagens reais e imaginários se enfrentam em uma batalha simbólica.

Estilo musical, influências e inovação
O grande trunfo de A Peleja do Diabo com o Dono do Céu é sua ousadia estética. Zé Ramalho não se limitou a reproduzir tradições do Nordeste: ele as fundiu com elementos do rock progressivo, da psicodelia e até da música folk internacional.
O disco é, ao mesmo tempo, profundamente brasileiro e universal. Há ecos de Bob Dylan na narrativa lírica, de Pink Floyd nas atmosferas sonoras, e de Luiz Gonzaga no uso do baião e da sanfona. Essa mistura resultou em um som atemporal, que influenciou gerações seguintes de artistas nordestinos e da MPB.

Recepção da crítica e impacto cultural
No lançamento, em 1979, o disco foi recebido com entusiasmo pela crítica, que destacou a ousadia lírica e a força das composições. “Admirável Gado Novo” rapidamente ganhou status de clássico e, nos anos 1990, foi reintroduzida a uma nova geração ao ser incluída na trilha da novela O Rei do Gado.
Comparado ao álbum de estreia, A Peleja do Diabo... mostrou um Zé Ramalho mais confiante, expandindo seu universo poético. A crítica o reconheceu como um dos grandes nomes da nova música nordestina, ao lado de Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Elba Ramalho, que juntos ajudavam a renovar a MPB naquele período.
Culturalmente, o álbum marcou por ser um dos primeiros a trazer para o centro do mercado fonográfico um discurso crítico e popular vindo do sertão, sem abrir mão de apelo comercial.

Curiosidades e bastidores
O título do disco é inspirado na tradição dos folhetos de cordel, em que duelos entre figuras míticas eram narrados em versos rimados.
“Frevo Mulher” foi composta originalmente para Elba Ramalho, prima de Zé, mas acabou entrando no disco do cantor antes de ser gravada por ela.
A capa do álbum, cheia de simbolismos, reforça a ideia do confronto cósmico entre forças antagônicas, traduzindo visualmente o espírito do trabalho.
O sucesso de “Admirável Gado Novo” foi tão grande que a música acabou sendo quase um hino involuntário das Diretas Já na década seguinte.

O legado de uma peleja eterna
Mais de quatro décadas após seu lançamento, A Peleja do Diabo com o Dono do Céu segue como um dos discos mais importantes da música brasileira. É uma obra que prova como Zé Ramalho soube transformar o regional em universal, sem perder a essência de sua raiz nordestina.
Se o primeiro álbum o apresentou como promessa, este segundo o consolidou como um dos maiores poetas da canção brasileira. Ainda hoje, suas faixas ressoam em festivais, playlists e nos corações de quem encontra, nas metáforas de Zé, a tradução da luta cotidiana entre esperança e desencanto.


Faixas

01 - A Peleja do diabo com o Dono do Céu
02 - Admirável Gado Novo
03 - Falas do Povo
04 - Beira-Mar
05 - Garoto de Aluguel (Taxi Boy)
06 - Pelo Vinho e Pelo Pão
07 - Mote das Amplidões
08 - Jardim das Acácias
09 - Agônico
10 - Frevo Mulher

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Zé Ramalho (1978) - Zé Ramalho




Em 1978, o Brasil vivia uma ebulição cultural em meio à ditadura militar. A música popular brasileira estava se reinventando, com nomes como Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso já estabelecidos, enquanto novos artistas surgiam para romper barreiras sonoras e poéticas. É nesse contexto que Zé Ramalho, um paraibano de voz grave e aura mística, lança seu primeiro álbum homônimo, simplesmente intitulado Zé Ramalho. Mais que uma estreia, o disco é um manifesto musical: mistura poesia de cordel, ritmos nordestinos, influências do rock progressivo e uma atmosfera quase apocalíptica.
Esse álbum de 1978 não apenas apresentou Zé Ramalho ao grande público, como também cravou seu nome na história da música brasileira, tornando-o uma das vozes mais originais e inconfundíveis da nossa MPB.

O caminho até o primeiro álbum
Antes da consagração nacional, Zé Ramalho já havia experimentado a cena musical do Nordeste nos anos 70. Ele participou do disco Paêbiru: Caminho da Montanha do Sol (1975), parceria com Lula Côrtes, que se tornou uma das obras mais cultuadas da psicodelia brasileira. Aquela experiência deixou clara a inclinação de Zé para sonoridades experimentais, com letras que mesclavam misticismo, crítica social e paisagens sertanejas.
Quando decidiu lançar seu primeiro trabalho solo, Zé Ramalho trouxe consigo toda essa bagagem: o espírito do sertão, a influência do rock progressivo inglês (Pink Floyd, Yes), a literatura de cordel e um lirismo sombrio que contrastava com a MPB mais solar que predominava na época.

Faixa a faixa: um mergulho no universo de Zé Ramalho
O álbum Zé Ramalho é composto por 10 faixas, cada uma carregada de simbolismo e força poética.
Avôhai - O hino absoluto da carreira de Zé. A canção surgiu após uma experiência psicodélica em que o artista teria tido uma visão de seu avô. A letra é um épico nordestino, cheio de imagens cósmicas e espirituais. O arranjo com violões e sintetizadores cria um clima etéreo, marcando de vez a singularidade de sua obra.
Vila do Sossego - Outro clássico, que se tornou sucesso radiofônico. Aqui, Zé canta sobre um lugar utópico, de paz e liberdade, em contraste com a repressão política do período. A melodia simples e contagiante fez a canção atravessar gerações, ainda hoje sendo uma das mais lembradas de sua carreira.
Chão de Giz - Uma das mais belas composições românticas da música brasileira. Com versos como “Eu desço dessa solidão e espalho coisas sobre um chão de giz”, Zé mistura imagens poéticas com um lirismo melancólico. É a música que mais mostra sua faceta de trovador apaixonado.
A Noite Preta - Aqui, o clima é mais sombrio, refletindo o misticismo e o tom apocalíptico presentes em várias canções de Zé Ramalho. O arranjo lembra o rock progressivo, com guitarras marcantes e atmosferas densas.
O álbum ainda traz outras joias, como A Dança das Borboletas, Adeus Segunda-feira Cinzenta e Bicho de 7 Cabeças, todas reforçando a pluralidade temática e musical de sua estreia.

Estilo musical, influências e inovação
O disco Zé Ramalho não se encaixa facilmente em rótulos. Ele é ao mesmo tempo MPB, rock progressivo, psicodelia, forró e poesia de cordel. A voz grave e declamatória de Zé, combinada com arranjos modernos para a época, criou uma sonoridade única, que alguns críticos chamam de “folk nordestino psicodélico”.
As letras, cheias de símbolos, metáforas e imagens místicas, dialogam tanto com o sertão quanto com o imaginário universal. Zé Ramalho foi influenciado por Bob Dylan, Raul Seixas, Pink Floyd e pela literatura de cordel nordestina, criando um amálgama que até hoje é difícil de reproduzir.

Recepção e impacto cultural
Na época do lançamento, Zé Ramalho recebeu elogios da crítica por sua originalidade, mas também causou estranhamento: havia quem não soubesse como classificar aquele artista de voz grave, letras enigmáticas e arranjos que fugiam ao padrão. No entanto, o público abraçou o disco, principalmente com os sucessos Avôhai, Vila do Sossego e Chão de Giz, que rapidamente ganharam espaço nas rádios.
Comparado aos álbuns posteriores de Zé, como A Peleja do Diabo com o Dono do Céu (1979) e A Terceira Lâmina (1981), sua estreia soa mais introspectiva, como uma apresentação ao mundo de seu universo particular. Mas foi justamente essa ousadia que garantiu seu lugar entre os grandes nomes da MPB.

Curiosidades e bastidores
A inspiração para Avôhai teria vindo após uma experiência com alucinógenos, em que Zé Ramalho disse ter recebido uma “visão espiritual” de seu avô.
O álbum foi lançado pela gravadora Epic, com produção de Sérgio Sá, que apostou no talento singular do paraibano.
Muitas das letras já circulavam em shows de Zé antes da gravação, o que ajudou a criar uma base de fãs no Nordeste.
Chão de Giz é até hoje uma das músicas brasileiras mais regravadas em diferentes estilos, do sertanejo ao rock.

O legado de um álbum visionário
Mais de quatro décadas após seu lançamento, o álbum Zé Ramalho continua sendo uma obra essencial para entender a música brasileira. Ele revelou um artista que soube unir tradição e modernidade, sertão e psicodelia, poesia popular e rock progressivo.
Esse disco de estreia não só projetou Zé Ramalho como um dos grandes nomes da MPB, mas também abriu espaço para uma sonoridade nordestina mais ousada e experimental. Até hoje, ao ouvir Avôhai ou Chão de Giz, é impossível não sentir a força visionária que Zé Ramalho trouxe à música brasileira em 1978.

Faixas
1978 Zé Ramalho Reedição de 2003

01 - Avôhai
02 - Vila do Sossego
03 - Chão de Giz
04 - A Noite Preta (Alceu Valença, Zé Ramalho)
05 - A Dança das Borboletas (Alceu Valença, Zé Ramalho)
06 - Bicho de 7 Cabeças (Geraldo Azevedo, Zé Ramalho)
07 - Adeus Segunda-feira Cinzenta (Geraldo Azevedo, Zé Ramalho)
08 - Meninas de Albarã
09 - Voa, Voa

Faixas bônus da reedição de 2003, tocadas apenas no violão com vocal

10 - Avôhai (Voz e Violão – Bônus Track)
11 - Chão de Giz (Voz e Violão – Bônus Track)
12 - Bicho de 7 Cabeças (Geraldo Azevedo, Zé Ramalho) (Voz e Violão – Bônus Track)
13 - Vila do Sossego (Voz e Violão – Bônus Track)
14 - Rato do Porto (Voz e Violão – Bônus Track)